Orientação ao paciente

Túnel do carpo e acupuntura: estudo, gravidade e decisão clínica

5 fev 2019
Pessoa segurando o punho em artigo sobre síndrome do túnel do carpo

Em um ensaio clínico randomizado com 80 pessoas com síndrome do túnel do carpo leve ou moderada, a eletroacupuntura real e a intervenção simulada reduziram os sintomas ao final de oito semanas. Apenas a eletroacupuntura real apresentou melhora na condução sensitiva do nervo mediano e no conjunto das medidas neurofisiológicas. O estudo não incluiu compressão grave.

O resultado separa duas perguntas: o paciente relata menos dor e formigamento, e o nervo apresenta mudança mensurável? No ensaio de Maeda e colaboradores, a resposta imediata dos sintomas ocorreu também com a intervenção simulada, enquanto os desfechos fisiológicos diferenciaram os grupos reais.

Desenho do estudo

O estudo recrutou 80 pessoas com síndrome do túnel do carpo leve ou moderada; 79 participantes foram randomizados para três braços. O protocolo aplicou 16 sessões durante oito semanas.

GrupoIntervenção
Local realEletroacupuntura real local na mão mais afetada.
Distal realEletroacupuntura real distal perto do tornozelo contralateral à mão mais afetada.
Simulado localEletroacupuntura simulada local com agulhas placebo não penetrantes.

O Questionário de Boston mediu dor, parestesia e função antes do tratamento, após as oito semanas e três meses depois. Ressonância magnética funcional e testes de condução nervosa foram realizados antes e logo após o protocolo.

Resultados

Os três grupos relataram redução dos sintomas logo após o tratamento. Nesse momento, a melhora subjetiva não foi maior nos grupos reais do que no grupo simulado.

Três meses depois, a redução dos sintomas permaneceu nos grupos de eletroacupuntura real, e a comparação favoreceu o tratamento real em relação ao simulado. Apenas 56 participantes responderam ao questionário nesse seguimento, o que reduz a precisão do resultado de longo prazo.

Neurofisiologia

A latência sensitiva do nervo mediano melhorou nos grupos local e distal reais, mas não no grupo simulado. A análise combinada dos grupos reais também mostrou maior separação, no córtex somatossensorial primário, das representações dos dedos indicador e médio.

Quando os grupos reais foram examinados separadamente, a reorganização cortical funcional ficou mais clara no grupo local; os grupos local e distal, porém, apresentaram melhora da condução nervosa. As mudanças cerebrais e periféricas medidas após o tratamento se associaram à manutenção da melhora dos sintomas.

Gravidade

O ensaio excluiu compressão grave e alterações motoras importantes. Seus resultados não se aplicam diretamente a dormência contínua, fraqueza progressiva, atrofia tenar, perda de força de pinça ou queda de objetos.

Nesses quadros, o risco de perda funcional tem prioridade sobre o controle isolado da dor. Sintomas menores não demonstram recuperação do nervo, e melhora clínica não demonstra reversão da compressão em todos os casos.

Diagnóstico

O diagnóstico combina o território do formigamento, sintomas noturnos, força da musculatura do polegar, sensibilidade e testes clínicos. Dor cervical com irradiação, sintomas no dedo mínimo ou formigamento em vários territórios levantam outras hipóteses, como radiculopatia cervical, neuropatia ulnar ou polineuropatia.

A eletroneuromiografia localiza a compressão e estima sua gravidade quando há sintomas persistentes, déficit motor, apresentação atípica ou dúvida diagnóstica. O exame não deve ser interpretado separado da força, da sensibilidade e da função da mão.

Tratamento

Nos casos leves e intermitentes, a órtese noturna mantém o punho em posição neutra, e a redução de posições que aumentam a compressão limita a irritação mecânica. O tratamento da causa associada e a reavaliação programada verificam se dormência, sono, força e uso da mão estão melhorando.

O estudo avaliou um protocolo específico de eletroacupuntura em participantes selecionados. Ele não testou todos os protocolos de acupuntura nem comparou a intervenção com descompressão cirúrgica.

Dormência constante, atrofia tenar, perda progressiva de força ou alteração importante nos testes de condução colocam a avaliação cirúrgica eletiva em prioridade. Medidas para dor não devem atrasar a descompressão quando o nervo apresenta comprometimento motor ou perda funcional progressiva.

Limitações

  • Foi um único ensaio, com grupos pequenos e participantes selecionados.
  • Compressão grave e déficit motor importante ficaram fora da amostra.
  • O seguimento de três meses teve perda de participantes.
  • Os participantes foram informados sobre o grupo após a avaliação de imagem, o que dificulta interpretar a evolução posterior do grupo simulado.
  • Condução nervosa e imagem cerebral são desfechos intermediários; não provam descompressão mecânica nem recuperação completa da função.

Artigo relacionado

O guia Síndrome do túnel do carpo: sintomas, gravidade e tratamento reúne o território do nervo mediano, diagnósticos diferenciais e opções de tratamento.

Referências bibliográficas

  1. Maeda Y, Kim H, Kettner N, et al. Rewiring the primary somatosensory cortex in carpal tunnel syndrome with acupuncture. PubMed. Brain. 2017;140(4):914-927. doi:10.1093/brain/awx015.
  2. American Academy of Orthopaedic Surgeons. Diretriz baseada em evidências para o manejo da síndrome do túnel do carpo. 2024.
  3. American Academy of Orthopaedic Surgeons. Carpal Tunnel Syndrome. OrthoInfo.
marcus yu bin pai
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Médico Fisiatra e Acupunturista, com Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo. Médico Coordenador e Colaborador do CEIMEC.