Acupuntura para lombalgia

10 ago 2017

Lombalgia é dor na região baixa da coluna. Pode aparecer depois de esforço, postura mantida por muito tempo, crise aguda de espasmo, sobrecarga, alterações de disco ou irritação de estruturas da coluna. A maioria dos casos melhora com cuidado conservador. Fraqueza progressiva, perda de sensibilidade, febre, trauma e alteração urinária exigem investigação antes do tratamento sintomático.

Quase 8 em cada 10 pessoas terá lombalgia em algum momento da vida.

A lombalgia é um dos principais motivos que leva as pessoas a buscarem tratamento médico, além de ser o principal motivo que leva as pessoas a procurarem a acupuntura.

A lombalgia crônica é uma das condições para as quais as pesquisas sugerem que a acupuntura pode ser efetiva em contexto selecionado como ferramenta de tratamento para dores na coluna vertebral.

Uma revisão de 22 estudos sobre acupuntura sugeriu que esta técnica proporcionou alívio a curto prazo para lombalgia crônica. Esse estudo demonstrou ainda que houver melhora mais significativa da dor em indivíduos submetidos à acupuntura, do que naqueles que receberam tratamento “falso”.

Entretanto, outros estudos constataram que, em comparação ao tratamento padrão, tanto a acupuntura real como a simulação foram mais efetivas.

A diretriz do American College of Physicians de 2017 incluiu a acupuntura entre as opções não farmacológicas iniciais para lombalgia crônica. A indicação depende do tipo de dor e das outras opções de tratamento.

Mecanismos estudados da acupuntura

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A acupuntura surgiu na China, há mais de 2.500 anos. Envolve a inserção de agulhas em certos pontos do corpo.

De acordo com a medicina chinesa tradicional, o corpo tem mais de 2.000 destes pontos, os quais são conectados por vias ou meridianos, criando um fluxo de energia chamado Qi.

Diz-se que a estimulação desses pontos corrige o desequilíbrio do Qi e melhora o fluxo de energia. Na tradição chinesa, esse modelo orienta a seleção de pontos. A avaliação clínica acompanha dor, capacidade de movimento e efeitos adversos.

Considera-se que seus efeitos resultam da estimulação do sistema nervoso central. Isto pode deflagrar a liberação de substâncias químicas nos músculos, medula espinal e cérebro.

Endorfinas e outros mediadores modulam a transmissão dolorosa.

Outras teorias discutidas na literatura sugerem que a acupuntura pode atuar por vias como:

  • Modulação do sistema nervoso. Estudos investigam mudanças no processamento dos estímulos dolorosos após a inserção das agulhas.
  • Deflagrando a liberação de opiáceos naturais, substâncias bioquímicas presentes no cérebro que podem diminuir a dor ou promover o sono.
  • Alterando a neuroquímica cerebral, por meio da modificação da liberação de neurotransmissores e neuro-hormônios. Os neurotransmissores estimulam ou inibem os impulsos nervosos. Os neuro-hormônios podem afetar a função ou a atividade de um órgão no corpo.

Dor mecânica, radicular e inflamatória

A lombalgia pode ser simples e autolimitada, mas também pode ser o primeiro sinal de radiculopatia, estenose, fratura, infecção, doença inflamatória ou dor referida do quadril e da articulação sacroilíaca.

O diagnóstico começa pela história: local da dor, trajeto do sintoma, fatores de piora e alívio, formigamento, fraqueza, febre, trauma, perda de peso, alteração urinária ou piora progressiva.

Padrão dos sintomas

Na lombalgia, o mapa da dor muda a hipótese: dor central, glútea, irradiada abaixo do joelho, piora em extensão ou alívio ao sentar sugerem mecanismos diferentes.

  • Dor localpode indicar articulação, tendão, músculo, fascia ou estrutura periarticular.
  • Dor irradiadapode sugerir nervo, raiz nervosa, dor referida ou sensibilização.
  • Formigamento ou queimaçãoexige diferenciar compressão nervosa, neuropatia e causas sistêmicas.
  • Perda de forçamuda a prioridade da avaliação, principalmente quando progride.

Padrão da dor e hipótese inicial

PadrãoConduta
Piora ao levantar peso ou ficar sentadoDor mecânica, disco, músculo ou sobrecarga.
Dor desce pela perna com formigamentoIrritação de raiz nervosa ou dor ciática.
Rigidez matinal prolongadaPossível componente inflamatório, especialmente em pessoas mais jovens.

Tratamento conservador

A base costuma incluir orientação, manutenção de movimento dentro do tolerável, controle de dor, retorno gradual às atividades e exercícios progressivos. Repouso absoluto prolongado tende a piorar função e confiança no movimento.

A acupuntura pode ajudar alguns pacientes no controle da dor e na tolerância ao movimento, especialmente quando combinada com reabilitação. Fraqueza, perda de sensibilidade progressiva, febre, trauma, suspeita de fratura ou alteração urinária colocam investigação em primeiro lugar.

Dor, irradiação e função na lombalgia

  • Menos dor ao levantar, caminhar, sentar e dormir.
  • Redução de irradiação, formigamento ou crises de espasmo.
  • Retorno gradual a trabalho, exercício e tarefas domésticas.
  • Menor necessidade de medicação de resgate.
  • Ausência de novos sinais neurológicos.

Radiografia e ressonância da coluna

Ressonância e radiografia são úteis quando existe hipótese que precisa ser confirmada, sinais de alerta ou dor persistente sem boa evolução. Porém, protrusões, degeneração discal e artrose facetária também aparecem em pessoas sem dor.

A correspondência entre a imagem, a distribuição da dor, a força, a sensibilidade, os reflexos e a limitação funcional ajuda a identificar o achado relacionado aos sintomas.

Medicamentos, procedimentos e reabilitação

Medicamentos podem reduzir dor e permitir movimento, mas devem ser usados com indicação, tempo e segurança. Anti-inflamatórios, relaxantes, analgésicos e medicações para dor neuropática têm riscos diferentes e não servem para todos.

Procedimentos entram quando há indicação específica, como dor radicular persistente, dor facetária, sacroilíaca ou outro mecanismo definido. Mesmo nesses casos, reabilitação e retorno progressivo à função continuam importantes.

Sinais de alerta

  • Fraqueza progressiva na perna ou pé caindo.
  • Perda de controle urinário ou intestinal.
  • Anestesia em sela ou dormência progressiva.
  • Febre, câncer, imunossupressão, trauma, uso prolongado de corticoide ou perda de peso inexplicada.
  • Dor que piora rapidamente ou não permite repouso.

Critérios de reavaliação

  • Dor lombar que piora apesar de quatro a seis semanas de movimento dosado, analgesia orientada e reabilitação exige reavaliação.
  • Fraqueza, alteração de sensibilidade ou dor irradiada progressiva.
  • Necessidade crescente de analgésicos ou anti-inflamatórios para controlar a dor.
  • Medo intenso de movimento impedindo reabilitação.
  • Suspeita de origem não lombar, como quadril, sacroilíaca ou doença sistêmica.

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Fontes consultadas para esta atualização

  1. WHO guideline: nonsurgical management of chronic primary low back pain
  2. ACP guideline: noninvasive treatments for low back pain
  3. NCCIH: low-back pain and complementary approaches

Clínica Dr. Hong Jin Pai & Associados

Dor na coluna e dor irradiada

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Médico Fisiatra e Acupunturista, com Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo. Médico Coordenador e Colaborador do CEIMEC.