Acupuntura em oncologia: controle da dor e de sintomas do tratamento

28 abr 2018

A acupuntura em oncologia é estudada para sintomas como náusea, vômito, dor, ondas de calor, fadiga e neuropatia periférica relacionados ao câncer ou ao tratamento. Cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia, hormonioterapia, seguimento com oncologista e cuidados paliativos seguem conforme a indicação oncológica.

A decisão começa pelo sintoma-alvo: em que fase do tratamento o paciente está, quais riscos de sangramento, infecção, linfedema ou fragilidade óssea existem, e qual objetivo será acompanhado.

Sintomas estudados em oncologia

A literatura em oncologia integrativa discute acupuntura principalmente para controle de sintomas e efeitos adversos. O National Cancer Institute descreve estudos em náusea e vômito, dor, ondas de calor, fadiga, xerostomia, neuropatia periférica, sono, ansiedade e outros desfechos. A força da evidência varia muito entre esses sintomas.

A diretriz SIO–ASCO de 2022 recomenda acupuntura para aliviar dor articular associada a inibidores de aromatase, com evidência intermediária. Para neuropatia induzida por quimioterapia, a evidência é baixa e a recomendação é fraca.

SintomaCuidados durante o tratamentoAntes de indicar
Náusea e vômitoPode ser discutida como complemento ao manejo antiemético.Não trocar antiemético prescrito; checar hidratação, perda de peso e sinais de complicação.
DorA diretriz SIO–ASCO recomenda acupuntura para dor articular associada a inibidores de aromatase e admite seu uso para dor oncológica ou musculoesquelética.Excluir progressão, fratura, compressão neurológica, infecção ou dor visceral relevante.
Ondas de calorHá estudos em sobreviventes de câncer de mama e próstata, com resultados mistos.Alinhar expectativa e comparar com opções farmacológicas e não farmacológicas.
Fadiga e sonoPodem melhorar em alguns protocolos, mas fadiga oncológica é multifatorial.Investigar anemia, dor, depressão, descondicionamento, medicações e atividade da doença.
Neuropatia periféricaÁrea de interesse clínico, com resposta variável.Documentar sensibilidade, força, equilíbrio, risco de queda e toxicidade do tratamento.
A indicação depende do sintoma-alvo e do contexto oncológico.

Riscos e condições que modificam a aplicação

O paciente oncológico pode ter plaquetopenia, neutropenia, anticoagulação, cateteres, linfedema, feridas, mucosite, neuropatia, metástases ósseas, radioterapia recente ou cirurgia em recuperação. Esses fatores mudam local de aplicação, profundidade, técnica, assepsia, frequência e a decisão de adiar.

  • Plaquetas e anticoagulação: hematomas extensos, sangramento fácil ou trombocitopenia pedem cautela proporcional ao risco.
  • Neutrófilos e infecção: febre, imunossupressão, pele inflamada ou ferida aberta mudam a prioridade.
  • Linfedema: membros em risco, áreas operadas e campos irradiados não devem ser tratados como tecido normal.
  • Dispositivos e cicatrizes: cateteres, drenos, próteses, feridas e cicatrização recente exigem planejamento anatômico.
  • Metástase óssea: dor nova, dor mecânica intensa ou suspeita de fratura patológica exige investigação.

Náusea, dor e função no tratamento oncológico

A resposta precisa ser acompanhada por desfechos concretos: intensidade de náusea, episódios de vômito, sono, fadiga, escala de dor, uso de medicação de resgate, função, amplitude de movimento, apetite, eventos adversos e impacto nas atividades. Ausência de melhora nos sintomas acompanhados, piora da função ou eventos adversos exigem rever a indicação.

O registro inclui mudanças simultâneas no tratamento e na condição clínica: ciclo de quimioterapia, radioterapia, ajuste de medicação, fisioterapia, infecção, anemia, perda de peso ou mudança do tratamento oncológico.

Tratamento oncológico, hemograma e sintomas prioritários

Leve uma lista objetiva do tratamento oncológico atual, datas de quimioterapia ou radioterapia, cirurgias, áreas irradiadas, cateteres, anticoagulantes, episódios de febre, hemograma recente quando disponível e sintomas prioritários. Isso permite decidir se a sessão é adequada naquele momento e quais regiões devem ser evitadas.

Práticas complementares, suplementos, fitoterápicos e outras medicações integram a revisão do tratamento em uso. Interações, sangramento, sonolência, atraso de avaliação e confusão sobre efeitos podem ocorrer quando a equipe não sabe o que foi acrescentado.

Complicações que interrompem as sessões

Dor óssea nova, dor que acorda à noite, fraqueza, febre, ferida, falta de ar, sangramento, confusão, queda, perda de peso rápida ou piora logo após um ciclo de tratamento pedem contato com a equipe assistente antes de continuar sessões.

Náusea com desidratação, dor que exige resgate frequente, neuropatia com queda, fadiga incapacitante ou sono muito fragmentado pedem revisão do plano principal.

Referências úteis

Clínica Dr. Hong Jin Pai & Associados

Dor e sintomas durante o tratamento oncológico

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Equipe médica do CEIMEC reunida na sede clínica
hong jin pai
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Médico especialista em Acupuntura, formado pela Faculdade de Medicina da USP, com especialização e pós-graduação em Acupuntura na China. Fundador e Coordenador do CEIMEC. Doutorado em Ciências pela USP. Professor Colaborador do Instituto de Ortopedia do HC-FMUSP.

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