Orientação ao paciente

Dor no ombro: o que é a Tendinite do Manguito Rotador?

27 set 2022
tendinopatia do manguito rotador

Dor relacionada ao manguito rotador não é sinônimo de tendinite: tendinopatia é dor e perda de função ligadas ao tendão; bursopatia é irritação da bursa, a pequena bolsa que reduz atrito; e ruptura (rotura) é rompimento parcial ou completo das fibras do tendão. Trauma, força, mobilidade e demanda do braço definem quais dessas lesões precisam ser procuradas.

Dor ao elevar o braço ou deitar sobre o ombro é comum nesse grupo, mas não identifica sozinha um tendão. Perda súbita de força após trauma, rigidez global e dor no topo do ombro apontam para caminhos diferentes.

Dor, fraqueza e rigidez

Dor predominante no arco de movimento, com força preservada ou limitada pela dor, costuma permitir início conservador. Fraqueza marcada que persiste mesmo com o braço bem posicionado aumenta a suspeita de ruptura relevante ou comprometimento neurológico.

Na capsulite adesiva, a perda de movimento passivo e ativo é mais ampla do que na apresentação típica do manguito. Na artrose acromioclavicular, a dor tende a se concentrar no topo do ombro e pode piorar ao cruzar o braço.

Dor cervical irradiada, formigamento ou alteração de reflexos deslocam o exame para a coluna e os nervos. A mesma pessoa pode ter achado no manguito e outra fonte de dor, por isso o exame procura concordância em vez de escolher um rótulo pela imagem.

Exame e imagem

Testes clínicos são mais úteis em combinação. Nenhuma manobra isolada identifica o tendão, a bursa ou uma ruptura; o valor está na concordância entre dor provocada, força e mobilidade.

O exame compara movimento ativo e passivo, força em posições específicas e dor provocada por carga. Essa diferença separa limitação por dor, rigidez capsular e perda mecânica de força com mais utilidade do que uma manobra positiva solta.

Quando história e exame justificam imagem na dor crônica, a radiografia costuma ser o primeiro exame para avaliar osso e articulações. Ultrassom ou ressonância entram quando a suspeita de ruptura ou o resultado pode mudar reabilitação, infiltração ou encaminhamento.

Alterações do manguito aparecem também em pessoas sem dor. Tamanho, localização, qualidade muscular, mecanismo traumático e déficit funcional precisam combinar com a queixa antes de transformar o laudo em causa.

Cuidado não cirúrgico

Na apresentação atraumática, modificação temporária de carga e exercício progressivo são o núcleo inicial. A carga é ajustada pela força, pela amplitude e pela resposta da dor nas tarefas que exigem elevar o braço.

Um grande ensaio pragmático não encontrou superioridade de um programa longo e supervisionado sobre orientação de boa prática ao final do acompanhamento. Isso não significa que uma sessão baste para todos; apenas que, nessa população com episódio recente e atraumático, mais sessões supervisionadas não produziram melhor resultado médio.

Uma infiltração com corticoide pode reduzir a dor por curto período em casos selecionados; não é tratamento de primeira linha nem repara o tendão. Repetições exigem cautela pelo possível efeito sobre a integridade do manguito e sobre um reparo futuro.

Como adjuvante ao cuidado ativo, a acupuntura pode oferecer alívio de dor e função no curto ou médio prazo, sem vantagem clara no longo prazo. Isso não demonstra cicatrização do tendão nem reversão de ruptura.

Cirurgia e trauma

Reparo cirúrgico entra mais cedo na discussão diante de uma ruptura traumática relevante. Em rupturas parciais de alta graduação — quando uma parte extensa da espessura do tendão está rompida, mas a ruptura não é completa —, o reparo é considerado após falha de manejo conservador ou fisioterapia, quando exame, imagem e perda funcional são concordantes. Dor persistente isolada não cria indicação automática.

A descompressão subacromial — cirurgia que remove tecido ou osso para ampliar o espaço acima do manguito —, quando realizada isoladamente, não melhora a dor atraumática persistente quando não existe indicação própria de reparo do tendão. Ela não deve ser confundida com o reparo de uma ruptura selecionada.

Ruptura parcial não progride inevitavelmente para completa. Risco estrutural depende do grau da lesão, trauma, qualidade do tecido, demanda e evolução; não existe um prazo universal para operar “a tempo”.

Após trauma, incapacidade súbita de elevar ativamente o braço ou perda de força marcada justificam avaliação precoce de uma ruptura aguda relevante.

Fontes

Clínica Dr. Hong Jin Pai & Associados

O ombro precisa de exame funcional, não só de imagem

Movimento ativo, movimento passivo, força, trauma e perda de função ajudam a diferenciar tendão, bursa, articulação e dor referida.

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Carlos Roberto Baba
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CRM-SP 47825 / RQE 12910, 19925 | Médico especialista em Ortopedia, Traumatologia e Acupuntura. Médico Colaborador do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Monitor do curso do CEIMEC – Centro de Estudo Integrado de medicina Chinesa.