Orientação ao paciente

Lesão na virilha: causas, sintomas e tratamento

28 nov 2022
lesao na virilha

Lesão na virilha pode envolver músculos adutores, tendões, quadril, pubalgia, hérnia ou outras causas. A dor pode aparecer em esportes, esforço, mudança de direção ou mesmo em atividades simples, e o tratamento depende de localizar a origem do sintoma.

A causa mais frequente de dor na virilha é a distensão muscular.

Os músculos da virilha também são conhecidos como adutores da coxa e estão localizados na região interna desse membro.

Você sabia que esses músculos exercem a função de estabilizar a anca e ampliar o movimento de abertura da coxa?

Durante esta leitura você conhecerá as principais causas da lesão na virilha, seus sintomas, o método diagnóstico e o tratamento.

Distensão na virilha

A distensão na virilha abrange a musculatura adutora do quadril a qual é formada por cinco músculos situados na parte interna da coxa.

São eles:

  • Adutor curto;
  • Adutor longo;
  • Adutor magno;
  • Músculo grácil;
  • Músculo pectíneo.

O adutor longo é o músculo mais frequentemente lesionado, seja de forma isolada ou combinada com os outros músculos adutores.

A distensão isolada dos outros músculos da virilha é mais incomum e de difícil definição do músculo envolvido na lesão.

Quando ocorrem, normalmente situam-se nos músculos adutor curto e no músculo pectíneo.

Causas

A principal causa de lesão na virilha é o futebol, sendo o chute a situação mais comum que ocasiona a distensão muscular.

A mudança de direção também acarreta lesão aguda na virilha.

A distensão da virilha também pode ocorrer durante corridas, esportes com saltos, arrancadas e exercícios que exigem abertura excessiva dos membros inferiores como a musculação.

Sintomas e tipos de lesão

A sintomatologia do estiramento muscular na virilha é caracterizada por queixas de dor na parte interna da coxa, especialmente ao executar o movimento de abertura da coxa.

A sensação de dor pode ser acompanhada de hematoma na região da virilha, sensibilidade à palpação e diminuição da força muscular.

Assim, a distensão na virilha é caracterizada conforme a sua gravidade e sintomas manifestados.

Veja:

  • Grau I: desconforto e incômodo na musculatura da virilha. Pouca ou nenhuma limitação para deambular e para realizar o movimento de abertura da coxa;
  • Grau II: Dor na musculatura e desconforto para deambular e para a prática de exercícios físicos. Pode haver edemas no local da lesão;
  • Grau III: Lesão severa da musculatura caracterizada por dor intensa e limitação para deambular e realizar atividade física. Presença de edemas, sensibilidade à palpação e fraqueza no movimento de abertura da coxa.

Saiba agora as doenças relacionadas à

lesão na virilha, o método diagnóstico e as alternativas de tratamento.

Fachada do CEIMEC na Alameda Jaú 687

Doenças relacionadas à lesão na virilha

Diagnósticos que podem entrar no diferencial:

  • Pubalgia;
  • Artrose do quadril;
  • Tendinite de iliopsoas;
  • Osteonecrose da cabeça do fêmur;
  • Lesão de adutores;
  • Patologias esqueléticas decorrentes de fraturas por trauma;
  • Tendinopatias;
  • Bursite;
  • Outras doenças associadas a quadro de infecção e hérnia inguinal.

Diagnóstico

O diagnóstico é realizado em consulta, combinando história clínica, exame físico e, quando necessário, exames de imagem.

É efetuada uma avaliação clínica das queixas do paciente e, conforme a sintomatologia apresentada, alguns exames podem ser úteis para o diagnóstico diferencial:

  • Raio x;
  • Ultrassonografia;
  • Ressonância magnética.

Os exames de imagem são relevantes para definir a localização da lesão na virilha e a sua extensão.

O diagnóstico diferencial é essencial para definir o grau da distensão!

Dessa forma, é importantíssima a avaliação do médico ortopedista para diagnosticar a severidade da lesão e oferecer a conduta terapêutica mais eficiente.

Como diferenciar distensão de outras causas de dor na virilha

A distensão de adutores costuma ter início relacionado a chute, corrida, mudança de direção, abertura excessiva da perna ou esforço súbito. A dor aparece na parte interna da coxa e piora com contração resistida dos adutores ou alongamento da região.

Outras causas têm pistas diferentes. Dor profunda no quadril pode piorar com rotação. Hérnia inguinal pode causar abaulamento ou desconforto ao tossir. Pubalgia costuma ser mais insidiosa, relacionada a carga repetida e dor na região púbica. Infecção, febre, trauma importante ou incapacidade de apoiar mudam a prioridade.

  • Dor ao apertar as pernas ou mudar de direção.
  • Dor profunda, rigidez ou limitação de rotação.
  • Abaulamento, dor ao tossir ou esforço abdominal.

Procure avaliação se houver incapacidade de apoiar o peso, travamento importante, aumento de volume, vermelhidão, febre, dor após queda, perda de força ou dor que impede marcha normal.

Tratamento

Na fase inicial, a prioridade é proteger o tecido lesionado sem parar tudo por tempo indefinido. O médico ou fisioterapeuta costuma graduar apoio, corrida, mudança de direção, alongamento e fortalecimento conforme dor, força, hematoma, amplitude e localização da lesão.

Tratamento conservador e retorno progressivo

  • Uso de medicação analgésica para alívio da dor e anti-inflamatórios;
  • Fisioterapia;
  • Utilização de outras técnicas como a infiltração analgésica guiada por ultrassom.
  • A abordagem cirúrgica é considerada em casos de falha do tratamento conservador e quando instalado o grau mais grave da lesão.

Destaca-se que a indicação do tratamento deve ser efetuada pelo médico ortopedista após a avaliação clínica e irá definir um plano de intervenção conforme o tipo e a extensão da lesão na virilha.

Isso inclui o retorno à prática esportiva!

O retorno ao esporte deve ser liberado pelo ortopedista quando dor, força, mobilidade e risco de nova lesão estiverem reavaliados.

Assim, você minimiza a possibilidade de novas lesões.

Exercícios de reabilitação de lesão na virilha

Durante o período de reabilitação do estiramento da virilha alguns exercícios favorecem a recuperação muscular.

Anote:

  • Quando a dor estiver mais amena é possível iniciar o alongamento da musculatura. Alongar favorece a recuperação muscular e pode prevenir o surgimento de novas lesões.
  • O início da realização de exercícios de fortalecimento com o uso de faixas elásticas, isometria e pesos leves, com aumento gradual, deve ocorrer de acordo com a tolerância do indivíduo.
  • Em seguida, já em fase de manutenção da força muscular da região da virilha, é possível a prática de exercícios de musculação com o aumento progressivo da resistência e da força.

Saiba que a manutenção da reabilitação é fundamental para a total recuperação da lesão.

Ambulatório de ensino e atendimento do CEIMEC

E como prevenir a lesão na virilha?

Conforme explicado neste artigo, a maioria dos estiramentos na virilha estão associados à prática esportiva.

O aquecimento e o alongamento antes da realização de exercícios físicos ajuda na prevenção de distensões da musculatura.

Ademais, um programa de condicionamento muscular contínuo auxilia na manutenção do fortalecimento muscular, colaborando para a prevenção de lesões.

Então …

A leitura deste artigo proporcionou o entendimento sobre os principais aspectos da distensão da musculatura na virilha.

É importante não negligenciar os sintomas de estiramento, como a dor e a restrição dos movimentos de abertura da coxa.

Assim, você evita o agravamento da lesão e inicia o programa de reabilitação ainda em seu estágio inicial.

O acompanhamento médico é imprescindível para a definição do tratamento e para a total recuperação da musculatura da virilha.

Busque ajuda profissional!

Referências

  1. LAURINO, C. As lesões musculares da região da virilha. 2018. Disponível em: <institutosport.com.br/as-lesoes-musculares-da-regiao-da-virilha/> Acesso em: 31 de maio de 2022.
  2. Dores na virilha: como tratar a tendinite de iliopsoas? Disponível em: www.pebmed.com.br/dores-na-virilha-como-tratar-a-tendinite-de-iliopsoas/amp/> Acesso em 01 de junho de 2022.
  3. REBOLLEDO, D. Dor na virilha. O que pode ser? Disponível em: <www.danielrebolledo.com.br> Acesso em 01 de junho de 2022.

Toda dor na virilha é lesão muscular?

Não. Quadril, tendões, hérnia e outras condições podem causar dor parecida. O exame físico direciona a investigação.

Quando posso voltar ao esporte?

O retorno depende de dor, força, mobilidade e testes funcionais. Voltar cedo demais aumenta risco de recidiva.

Papel da acupuntura na dor da virilha

Pode ser usada para controle da dor e suporte à reabilitação, junto do diagnóstico e da progressão adequada de carga.

Reabilitação e retorno ao esporte

O retorno não deve depender apenas de a dor ter diminuído. É preciso recuperar força dos adutores, controle do quadril, mobilidade, tolerância a corrida, mudança de direção e gesto esportivo. Voltar cedo demais aumenta risco de recidiva.

Acupuntura entra como parte do controle de dor em pacientes com critério clínico definido, mas a recuperação da lesão depende principalmente de diagnóstico correto, progressão de carga e critérios funcionais de retorno.

Quando a dor não melhora no prazo esperado

Se a dor na virilha persiste apesar de repouso relativo, reabilitação inicial e progressão cuidadosa, a hipótese precisa ser revista. Lesões tendíneas, pubalgia, impacto femoroacetabular, artrose do quadril, hérnia inguinal e dor lombar referida podem manter sintomas parecidos com uma distensão simples.

O acompanhamento deve medir função: caminhar sem mancar, subir escadas, correr, acelerar, mudar de direção e executar o gesto esportivo. Sem esses critérios, o retorno pode ser baseado apenas em dor momentânea.

Clínica Dr. Hong Jin Pai & Associados

Dor ao caminhar, subir escadas ou apoiar o pé?

A avaliação considera marcha, força, mobilidade, exames e metas funcionais antes de indicar tratamento.

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Atividade prática em ambiente ambulatorial vinculado ao CEIMEC
Mobilidade, força e função entram na decisão clínica.
Carlos Roberto Baba
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CRM-SP 47825 / RQE 12910, 19925 | Médico especialista em Ortopedia, Traumatologia e Acupuntura. Médico Colaborador do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Monitor do curso do CEIMEC – Centro de Estudo Integrado de medicina Chinesa.