Tendinopatia do supraespinhoso é uma causa frequente de dor no ombro, especialmente em movimentos acima da cabeça. Ela pode estar ligada a sobrecarga, degeneração tendínea, impacto subacromial ou alterações do manguito rotador.
Sinais de alerta e lesões associadas
- trauma com perda súbita de força ou incapacidade de elevar o braço
- dor noturna progressiva com grande limitação funcional
- rigidez global do ombro, sugerindo capsulite associada
- formigamento, choque ou fraqueza que sugiram origem cervical
| Possibilidade | Padrão típico | O que muda a conduta |
|---|---|---|
| Tendinopatia do supraespinhoso | Dor no arco de elevação, ao alcançar objetos e ao deitar sobre o lado. | Carga, fortalecimento gradual e controle de dor costumam ser centrais. |
| Ruptura do manguito | Fraqueza verdadeira, trauma ou perda de função desproporcional. | Pode exigir imagem e discussão de opções específicas. |
| Capsulite adesiva | Rigidez marcada ativa e passiva. | O foco muda para mobilidade, dor e fase da capsulite. |
Supraespinhal e supraespinhoso são nomes do mesmo músculo. A tendinopatia de seu tendão pode provocar dor ao elevar o braço e ao deitar sobre o ombro.
Essa patologia, ainda, é apenas um das formas de lesão do chamado manguito rotador, conjunto de músculos, tendões e ligamentos que formam a articulação do ombro, e sobre a qual falamos mais aqui.
Anatomia do supraespinhoso
O músculo supraespinhal está localizado mais na face dorsal superior do seu ombro (parte de cima da articulação) e faz parte do grupo de quatro músculos que formam o chamado manguito rotador, conjunto de estruturas responsável pela rotação do ombro.
O tendão do músculo supraespinhal fica ligado à cabeça do úmero, o maior osso do membro superior.
Tendinopatia descreve o comprometimento do tendão; ruptura significa perda parcial ou total de sua continuidade. Dor e fraqueza podem ocorrer em ambas, e o exame ajuda a diferenciá-las.
Sobrecarga do supraespinhoso
A lesão no tendão tratado aqui é considerada relativamente comum entre atletas que requisitam muito a articulação do ombro, sendo as modalidades mais propícias a esse tipo de inflamação o basquete, o beisebol, vôlei, tênis e natação.
Todos eles esportes que exigem bastante movimentação de braços acima da linha da cabeça, o que acaba forçando a articulação do ombro além das tarefas comuns.
Há, inclusive, um artigo inteiramente dedicado às lesões comuns aos nadadores, disponíveis neste link, onde você pode se informar melhor.
Além dos esportistas, a lesão também é bastante frequente nos trabalhadores cuja função exige movimentos repetitivos do ombro, fazendo com que, durante a abdução do ombro, o tendão seja comprimido junto ao osso ou que haja atrito entre as duas estruturas, facilitando o aparecimento de uma lesão.
A tendinite de ombro pode afetar homens e mulheres
de qualquer idade, mas é mais comum a partir dos 45 anos.
Fases da lesão
As característica da lesão também costumam variar de acordo com a idade do paciente e podem ser classificada em três fases:
- O paciente tem dor aguda e apresenta pequeno sangramento dentro da articulação e inchaço. Em geral, os sintomas pioram com a movimentação dos braços e melhoram em repouso. Esse tipo de lesão costuma ser mais comum em pacientes jovens.
- A dor, nessa fase, é constante e um exame de ultrassom costuma mostrar fibrose com espessamento da bursa subacromial e tendinite do manguito rotador ou bíceps braquial. Afeta mais adultos jovens, de 25 a 40 anos.
- A terceira fase é caracterizada por ruptura parcial ou total do manguito rotador ou do bíceps braquial, sendo mais frequente após os 40 anos.

Sintomas
O principal problema da tendinite é a dor local intensa que tende a surgir de repente e costuma piorar com a movimentação da articulação.
Junto com a dor, o paciente pode relatar, ainda, uma certa sensação de repuxamento e uma sensação de que ela “se espalha pelo braço”, devido principalmente à compensação do esforço muscular.
Há também quem sinta dor ao apalpar a região afetada, mesmo sem movimentação, e fraqueza ou a sensação de não conseguir segurar ou levantar um objeto.
Outro sintoma bastante comum dessa lesão, também, é a piora da dor durante a noite, o que leva à outro sintoma secundário, a alteração da qualidade do sono, sobretudo se o lado afetado for o que o paciente costuma se apoiar para dormir.

Causas da tendinite do supraespinhal
A tendinite do supraespinhal costuma ter duas origens distintas: a mecânica, causada por movimento ou esforço, e a vascular, quando há deficiência na distribuição sanguínea ao tendão.
Isso faz com que a estrutura se enfraqueça e fique mais vulnerável a rompimentos.
Quanto à parte mecânica, as causas mais comuns de ruptura do tendão do ombro são:
- Quedas: São uma causa de tendinite comum entre pessoas idosas, principalmente em situações domésticas. Isso se deve, principalmente ao envelhecimento natural dos ossos e músculos, o que as torna mais suscetíveis aos tombos.
- Artrite reumatoide: A doença inflamatória pode afetar o ombro, especialmente o tendão supraespinhal.
- Sobrecarga de peso: Levantar peso em excesso, principalmente de um lado só do corpo, sobrecarrega o ombro e pode contribuir com o desenvolvimento da patologia.
- Esporão ósseo: Acontece quando aparecem saliências na extremidade do acrômio, que podem causar atrito com o tendão e levar a uma lesão, rompimento ou inflamação do mesmo.
- Fatores antecessores: A sobreposição de vários episódios de quedas ou sobrecargas, mesmo que esporádicos, pode ocasionar eventualmente uma tendinopatia do supraespinhal. Por exemplo, um atleta que frequentemente lesiona algumas fibras do tendão e as recupera, anos mais tarde pode lesionar outras fibras, formando assim um tecido cicatricial que enfraquece o tendão e o torna suscetível à inflamação.

Diagnóstico
O diagnóstico de tendinite do ombro pode ser feito por um exame clínico, no próprio consultório médico, mas exames de imagem complementares podem ajudar a afastar fraturas ou tendinopatias calcificadas.
Os exames mais comumente solicitados, nesses casos, são a ultrassonografia do ombro, o raio-X, a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética.
A história dos sintomas e os movimentos que reproduzem ou aliviam a dor ajudam a diferenciar tendinopatia, ruptura, capsulite e dor de origem cervical.
Para isso, existem alguns testes conhecidos no meio médico bastante usados na consulta quando o paciente relata do no ombro:
- Teste para tendinite do supraespinhal: Esse é o teste básico para o diagnóstico. Com o paciente sentado, o médico solicita que ele abduza (movimente lateralmente) o braço até um ângulo de cerca de 90 graus. O movimento faz com que o músculo supraespinhal seja tensionado, de forma que caso o paciente alegue dor no movimento.
- Teste de Apley: Também com o paciente sentado, o médico indica que ele posicione a mão do mesmo lado onde sente dor atrás da cabeça e encoste-a na parte superior da escápula. Depois, pede que a mesma mão vá até a parte inferior da escápula.
- Teste de Hawkins-Kennedy: Agora de pé, o paciente flexiona o ombro para frente em 90 graus. Depois, o médico pede que ele tente rotacionar o ombro. Se o paciente sentir dor, pode-se considerar a tendinopatia do supraespinhal.
Teste de Neer: Também em pé, o paciente estende o braço e o médico rotaciona o braço afetado no sentido interno, O movimento causa um choque do tendão contra o acrômio, o que causa dor em caso de tendinopatia.

A tendinopatia do supraespinhoso pode provocar arco doloroso, dor noturna e dificuldade para elevar o braço. O plano depende de diferenciar tendinopatia, ruptura, impacto subacromial, capsulite e dor cervical referida.
Dor entre cerca de 60 e 120 graus de elevação sugere sobrecarga do manguito, mas não fecha diagnóstico médico sozinho.
Ultrassom ou ressonância ajudam quando há trauma, perda de força, suspeita de ruptura ou falha de tratamento.
Trauma, incapacidade de elevar o braço, febre, ombro quente, dor noturna progressiva, perda de força ou dormência exigem avaliação dirigida.
Tratamento da tendinite de ombro
O tratamento para tendinite do tendão supraespinhal costuma ser conservador, com fisioterapia e uso de medicamentos para alívio da dor, mas a cirurgia pode ser indicada quando há critério clínico definido, sobretudo se os sintomas permaneceram depois de seis meses a um ano do início do tratamento convencional.
A evolução costuma ser lenta e depende de carga, extensão da lesão tendínea, rigidez, força, sono, doenças associadas e adesão à reabilitação. O objetivo inicial é reduzir dor, recuperar amplitude, restaurar força e voltar gradualmente às atividades sem piora sustentada.
Em geral, a primeira coisa a ser receitada é o repouso para permitir que as estruturas lesionadas cicatrizem e não piorem com o esforço e o atrito da movimentação.
Na sua fase inicial, podem ser receitados anti-inflamatórios não esteroides e analgésicos tópicos ou de uso oral. Injeções de cortisona ou de ou anestésico local também podem ser indicadas para os casos mais graves ou de dor muito intensa.
Outro tratamento de bastante valor na tendinite de ombro é a acupuntura e o agulhamento seco (dry needling), que ajudam no alívio e tratamento da dor miofascial relacionada ao problema por meio da inativação dos pontos gatilhos e do relaxamento muscular.
Outra alternativa é a terapia por ondas de choque, uma modalidade não invasiva para casos refratários, com objetivo de reduzir a dor e melhorar a amplitude de movimento.
A fisioterapia contribui na reabilitação adequada do movimento e no auxílio do fortalecimento do músculo supraespinhal e dos demais músculos do manguito rotador.
Com maior força muscular, há menos sobrecarga no tendão.
Força, amplitude, dor noturna, capacidade de vestir-se e tolerância a carga acima da cabeça guiam a reabilitação.
Cirurgia
A indicação cirúrgica muda quando há ruptura do manguito rotador, perda importante de força ou limitação persistente apesar da reabilitação. Reparo tendíneo e descompressão subacromial são procedimentos diferentes.
Na dor subacromial sem ruptura completa do manguito, a descompressão com acromioplastia não mostrou benefício adicional sobre cirurgia placebo ou exercícios no seguimento de dez anos do ensaio FIMPACT. Esse resultado não deve ser confundido com a indicação de reparo de uma ruptura. Ensaio FIMPACT: seguimento de dez anos.
Recuperação
A evolução é acompanhada ao longo das primeiras semanas. A recuperação varia conforme extensão da lesão, idade, carga, aderência à reabilitação e presença de ruptura.
Carga e prevenção de recidiva
Também pode ter relação ocupacional, principalmente quando há movimento repetitivo, carga acima da cabeça ou pouca recuperação entre esforços.
Prevenção, quando possível, depende de progressão de carga, fortalecimento do manguito rotador e escápula, ajuste de técnica esportiva ou laboral, pausas e tratamento de rigidez. O tendão piora quando a carga ultrapassa sua capacidade de adaptação por tempo suficiente.
Tendinopatia é ruptura?
Não necessariamente. Tendinopatia indica sofrimento ou degeneração do tendão. Ruptura é outra situação e precisa ser avaliada conforme tamanho, sintomas e função.
Posso continuar treinando?
Depende da dor e do tipo de treino. Em geral, ajusta-se carga e amplitude antes de suspender tudo.
Acupuntura ajuda no supraespinhoso?
Pode ajudar na dor e facilitar a reabilitação, desde que o plano também trate força, mobilidade e controle de carga.
Supraespinhoso, manguito rotador e reabilitação

CRM-SP 47825 / RQE 12910, 19925 | Médico especialista em Ortopedia, Traumatologia e Acupuntura. Médico Colaborador do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Monitor do curso do CEIMEC – Centro de Estudo Integrado de medicina Chinesa.
