Orientação ao paciente

Doença Degenerativa do Disco – Sintomas e Tratamentos

29 jun 2023

Doença degenerativa do disco descreve alterações de desgaste nos discos da coluna. Essas alterações podem aparecer em exames mesmo em pessoas sem dor; por isso, o mais importante é relacionar imagem, sintomas e exame físico antes de decidir o tratamento.

Causa comum de dor lombar

A Doença Degenerativa do Disco é o enfraquecimento e a deterioração de um ou mais discos vertebrais, uma estrutura que fica entre os ossos da coluna vertebral para fornecer amortecimento e permitir movimento entre os níveis da coluna.

Essa condição pode se desenvolver como uma parte natural do processo de envelhecimento, mas também pode ser resultado de lesões. Embora o termo “doença” esteja no nome, esse processo é um desgaste local da coluna e não faz parte de uma doença sistêmica.

A Doença Degenerativa do Disco ocorre com mais frequência na região lombar, mas também pode afetar o pescoço e a parte dorsal (média) das costas.

Como a Doença Degenerativa do Disco Progride?

Núcleo pulposo (o amortecimento interno)

A doença degenerativa do disco geralmente começa com a redução na parte interna do disco, conhecida como núcleo pulposo. O núcleo pulposo é uma substância semelhante a gel que é flexível e absorve choques. O disco é frequentemente comparado a uma rosquinha de geleia, sendo a geleia o material do núcleo.

A degeneração do disco é o processo de ter menos desse material nuclear (menos geleia) e uma alteração do material para ser mais rígido e menos flexível (a geleia perde o conteúdo de água e fica mais firme).

Com a degeneração discal, a altura do disco é reduzida, assim como o movimento e o amortecimento entre os níveis da coluna vertebral. Com menos absorção de choque entre os níveis da coluna, mais forças são transmitidas ao osso, causando inchaço e inflamação.

Fachada do CEIMEC na Alameda Jaú 687

O anel (parede do disco)

A parte externa do disco é chamada de ânulo fibroso, que é uma banda densa de material fibroso que contém o gel interno. Pequenas rupturas, chamadas lágrimas anulares, podem aparecer na parede do disco como resultado de estresse repetitivo ou de uma lesão repentina.

As lágrimas podem resultar no vazamento de material em gel do disco.

Como existem nervos na parte externa da parede do disco, as fissuras anulares também podem causar dor. As lesões podem cicatrizar, criando tecido cicatricial que não é tão forte quanto a parede original do disco.

Se a coluna for repetidamente lesionada, o processo de ruptura e cicatrização pode continuar, enfraquecendo a parede do disco, e resultando em lesões como hérnias discais.

Degeneração do nível da coluna – efeitos secundários da Doença Degenerativa do Disco

Ambulatório de ensino e atendimento do CEIMEC

Incapaz de agir como um amortecedor, o disco não consegue mais desempenhar suas funções de absorver choques e permitir movimento entre os segmentos da coluna. As vértebras acima e abaixo deste disco danificado deslizam mais próximas uma da outra.

Isso faz com que o espaço para os nervos saírem da coluna, conhecido como forame, se estreite e pressione os nervos da coluna.

As facetas articulares – áreas onde os ossos vertebrais se unem, também podem se desalinhadas, resultando em rigidez e dor.

Com o tempo, o posicionamento comprimido das vértebras pode criar esporões ósseos em resposta aos estresses que ocorrem com menos amortecimento de gel do disco. Os esporões também podem reduzir o movimento segmental do disco e das articulações em um determinado nível da coluna.

O nível da coluna vertebral rígida transmitirá mais forças para um nível adjacente.

Sintomas da Doença Degenerativa do Disco

Os dois principais sintomas da Doença Degenerativa do Disco são dor e rigidez nos níveis da coluna vertebral afetados.

A rigidez costuma ser pior após longos períodos de sentado ou de pé, e a dor pode variar de leve a intensa. Flexionar, torcer e sentar pode piorar a dor. Deitar ou descansar geralmente alivia a pressão na coluna.

Conheça os sintomas mais comuns desta condição

  • Dor intensificada ao sentar-se: Em uma posição sentada, os discos da região lombar suportam uma carga três vezes maior do que quando estamos de pé. Portanto, esse desconforto tende a se agravar quando estamos sentados.
  • Dor que se agrava ao se curvar, levantar ou torcer: Movimentos que exigem esforço físico como curvar-se, levantar objetos ou torcer o corpo podem intensificar a dor devido à pressão exercida sobre os discos vertebrais.
  • Alívio da dor ao caminhar ou correr: Em contraste, caminhar ou mesmo correr muitas vezes alivia a dor, assim como mudar de posição frequentemente ou deitar-se.
  • Episódios de dor intensa que vêm e vão: Episódios de dor intensa que vão de alguns dias a alguns meses antes de melhorar. Essa dor pode variar de um incômodo persistente até uma dor incapacitante, que pode afetar a região lombar, nádegas e coxas, ou o pescoço, dependendo de onde o disco afetado está, irradiando para os braços e mãos.
  • Queimação e formigamento nas extremidades: Um sintoma comum da doença degenerativa do disco é a sensação de formigamento ou dormência nas extremidades, como braços e pernas.
  • Fraqueza nos músculos das pernas ou queda do pé: Esse pode ser um sinal de dano à raiz do nervo, e vem acompanhada de parestesia, fraqueza e formigamento local.

Esses sintomas precisam ser avaliados por um médico para um diagnóstico correto e tratamento adequado.

Diagnóstico

Estrutura clínica do CEIMEC em São Paulo

A Doença Degenerativa do Disco pode ser visualizada em imagens da coluna vertebral, seja por raio-X, tomografia computadorizada ou ressonância magnética. Para diagnosticar especificamente o nível do disco que está causando a dor, uma discografia é recomendada.

Raramente e dependendo de outros sintomas, pode ser recomendado que o paciente seja avaliado para infecção ou doença autoimune que pode estar contribuindo para a degeneração do disco. 80% dos adultos terão dor nas costas em algum momento de suas vidas.

O termo pode assustar, mas degeneração em exame é comum e precisa ser interpretada junto com idade, sintomas, função e exame físico.

Isso pode irritar estruturas vizinhas, mas muitas pessoas com alterações degenerativas não têm dor relevante.

A consulta precisa separar dor discogênica, dor facetária, radiculopatia, estenose, sacroilíaca e dor muscular. Ressonância ajuda quando há sinal neurológico, dor persistente, planejamento de procedimento médico ou dúvida diagnóstica, mas não deve ser lida fora do contexto.

Quando existe dor para a perna, o foco muda para força, reflexos, sensibilidade e distribuição do sintoma.

Procure avaliação com prioridade se houver fraqueza progressiva, dormência extensa, alteração urinária ou intestinal, febre, trauma importante, dor noturna progressiva ou perda de peso sem explicação.

Tratamentos Não Cirúrgicos para a Doença Degenerativa do Disco

  • Fisioterapia e os exercícios domiciliares que alongam e fortalecem a área da coluna afetada podem aumentar a flexibilidade e o equilíbrio muscular ao redor da área da degeneração discal.
  • O uso de órteses (coletes) na área afetada da coluna, especialmente a lombar, pode ajudar a reduzir o estresse na área que acompanha certas atividades, como longos períodos de caminhada ou de pé.
  • Medicamentos prescritos, como anti-inflamatórios orais, bloqueadores de nervos e relaxantes musculares podem ajudar a reduzir a gravidade da dor. Existem também adesivos e cremes que podem ser aplicados diretamente na pele na área da dor.
  • Injeções na articulação facetária podem reduzir o inchaço e aliviar a pressão nas articulações que estão causando dor no nível da degeneração discal. Se forem bem-sucedidas na redução da dor, às vezes a radiofrequência nos nervos que vão para as articulações facetárias pode ser mais duradoura.
  • A inflamação dos nervos pode ser tratada no nível da degeneração discal com injeções de corticóides epidurais. Um indício de que a dor pode estar vindo do nervo é se houver uma sensação de formigamento ou queimação que se afasta da coluna.
  • Uma vez identificado o nível específico que causa dor por discografia, as técnicas de regeneração do disco podem ser direcionadas a esse nível. Isso envolve anuloplastia ou tratamento regenerativo, como proloterapia, PRP e células-tronco.
  • A estimulação da medula espinhal pode ser discutida em dor crônica refratária selecionada, depois de diagnóstico, reabilitação e outras opções. Ela não é primeira linha; a indicação vem depois de diagnóstico, reabilitação e discussão das opções cirúrgicas quando há critério.

Modificação de atividade sem repouso prolongado

  • Na crise, reduza por curto período os movimentos que reproduzem claramente a dor, como flexão repetida, carga alta ou impacto.
  • Mantenha caminhadas e atividades leves dentro do tolerável quando não houver sinal de alerta; imobilidade prolongada costuma piorar rigidez e perda de condicionamento.
  • Reavalie se a dor passa a irradiar com fraqueza, dormência progressiva, febre, trauma ou alteração urinária/intestinais.

A melhora costuma depender de exposição gradual ao movimento.

O alvo é caminhar, dormir, trabalhar e se mover melhor.

Terapias alternativas

Alguns pacientes encontram alívio com tratamentos a laser, acupuntura, remédios à base de ervas, massagem e/ou manipulação quiroprática.

Resumo

  • A doença degenerativa do disco não é realmente uma doença, mas sim uma condição na qual um disco danificado causa dor. Essa dor pode variar de incômoda a incapacitante.
  • A condição pode ser causada pelo ressecamento do disco ao longo do tempo, atividades diárias, esportes e lesões.
  • As opções de tratamento incluem a substituição do disco, outras intervenções cirúrgicas e opções não cirúrgicas, como acupuntura, apoio nas costas e controle da dor.

Doença degenerativa do disco é sempre grave?

Não. Alterações degenerativas são comuns com o envelhecimento e nem sempre causam dor. A gravidade depende dos sintomas, do exame físico e do impacto funcional.

Preciso operar?

A maioria dos casos é tratada de forma conservadora. Cirurgia é considerada em situações específicas, como déficit neurológico progressivo ou dor incapacitante que não melhora com tratamento adequado.

Papel da acupuntura na doença degenerativa do disco

Entra como parte de um plano de controle da dor e melhora funcional, sempre depois de uma avaliação médica e sem substituir reabilitação ou outras condutas necessárias.

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Carlos Roberto Baba
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CRM-SP 47825 / RQE 12910, 19925 | Médico especialista em Ortopedia, Traumatologia e Acupuntura. Médico Colaborador do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Monitor do curso do CEIMEC – Centro de Estudo Integrado de medicina Chinesa.