Simpósio no Cremesp reuniu médicos para discutir mecanismos, indicações, limites e formação em acupuntura médica.
SÃO PAULO, 11 de outubro de 2025 – O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) promoveu, no dia 4 de outubro, o 2º Simpósio de Acupuntura, reunindo mais de 100 médicos para discutir mecanismos de ação, indicações clínicas, evidências e formação em acupuntura médica.
A pauta organizou mecanismos, indicações clínicas, segurança, formação médica e leitura crítica das evidências.
O tom do evento foi estabelecido na abertura, com a declaração enfática de Luiz Carlos Souza Sampaio, médico acupunturista e psiquiatra. “Acupuntura não é complementar, nem alternativa, nem integrativa.
É uma especialidade médica que incorpora o conhecimento das práticas orientais na medicina convencional.”
A mesa de abertura contou com a presença de lideranças do Conselho, incluindo Angelo Vattimo, presidente do Cremesp; Irene Abramovich, 1ª secretária; e Eliane Aboud, conselheira e responsável pela Câmara Técnica de Acupuntura, coordenada por Hong Jin Pai.
O simpósio destacou rigor técnico, formação médica e leitura crítica das evidências em acupuntura.
Irene Abramovich complementou, destacando que “a acupuntura é tão importante e necessária quanto qualquer outra especialidade.”

Aplicações Clínicas e Evidências Científicas
As sessões científicas aprofundaram a aplicação da Acupuntura em condições complexas e de grande prevalência. A primeira mesa abordou a endometriose e a nevralgia do trigêmeo. O ginecologista e conselheiro Fabio Sgarbosa contextualizou a endometriose como uma doença inflamatória que afeta até 15% das mulheres em idade reprodutiva.
Em seguida, o acupunturista e ginecologista Luciano Ricardo Curuci de Souza explicou como a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) interpreta a condição, correlacionando-a a padrões de desarmonia como a estagnação do Qi do fígado.
Sobre a nevralgia do trigêmeo, o neurologista Gabriel T.
Kubota delineou a abordagem convencional, enquanto Hong Jin Pai apresentou evidências que suportam o uso da Acupuntura como tratamento adjuvante, citando um estudo de 2016 que “indicou a eficácia da acupuntura associada à carbamazepina.”
Da Validação Científica à Prática Clínica Especializada
A segunda parte do simpósio discutiu como interpretar eficácia, comparadores, desfechos e segurança.
Jorge Kioshi Hosomi apresentou mapas de evidências que demonstram os efeitos positivos ou parcialmente positivos da Acupuntura e da moxabustão (técnica que utiliza calor em pontos específicos) em uma vasta gama de desfechos clínicos.
Na discussão sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o psiquiatra e conselheiro Rodrigo Lancelote Alberto abordou os desafios do diagnóstico. O médico André Horcajo Agostinetti destacou o potencial da Acupuntura para tratar comorbidades associadas ao TEA, por meio de sua capacidade de estimular o Sistema Nervoso Central.
O evento foi concluído com temas que reforçam a profissionalização e a amplitude da especialidade. A conselheira Eliane Aboud ressaltou a importância do preenchimento rigoroso do prontuário médico, um documento fundamental, mas frequentemente subestimado.
“Trata-se de um dos documentos médicos mais importantes, porém também um dos mais negligenciados entre os profissionais”, lamentou.
Dermatologistas apresentaram aplicações em psoríase, com discussão de padrões clínicos e limites. Maria Assunta Yamanaka Nakano apresentou estudos da UNIFESP sobre estética facial, incluindo melasma, acne e rugas, com foco em desenho dos estudos, desfechos e indicação.
Leitura clínica do registro
O valor do simpósio está nos temas concretos: endometriose, nevralgia do trigêmeo, TEA, psoríase, estética facial, prontuário, mecanismos de ação e critérios de indicação.
Para a formação, esse registro mostra onde o aluno precisa sair da técnica isolada: diagnóstico, segurança anatômica, prontuário, comparadores, limites da evidência e acompanhamento de resposta.
- Indicação depende de diagnóstico e objetivo funcional.
- Prontuário e consentimento importam tanto quanto escolha de pontos.
- Estudos devem ser lidos por desenho, comparador, desfecho e segurança.
- A discussão institucional ajuda a alinhar ensino, ambulatório e comunicação pública.
Centro de Estudo Integrado em Medicina Chinesa (CEIMEC)
