A tendinite de De Quervain é a irritação da bainha por onde passam os dois tendões que abrem e levantam o polegar, na borda do punho do lado do polegar. A dor fica num ponto estreito, poucos centímetros acima da base do polegar.
Ela aparece em quem pega o bebê pelas axilas várias vezes ao dia, em quem passa horas com o celular numa mão só, em pinça repetida no trabalho manual e depois de aumentos rápidos de uso da mão. Torcer um pano ou virar uma maçaneta pode ficar surpreendentemente doloroso.
Como essa dor se comporta
- Dor na borda do punho do lado do polegar, principalmente em pinça e torção.
- Piora ao levantar objetos com o polegar aberto ou ao inclinar o punho para o lado do dedo mínimo.
- Ponto sensível bem localizado, que você consegue apontar com um dedo.
- Às vezes um estalo ou sensação de atrito ao mover o polegar.
- Sem dormência que aumenta com o tempo — isso aponta para nervo, não para tendão.
Quando não vale esperar
- Trauma ou queda com deformidade visível no punho
- Perda rápida de força, com objetos escapando da mão
- Dormência que aumenta semana a semana
- Punho ou mão quente, inchada e vermelha
- Febre junto com a dor
- Rigidez matinal prolongada em várias articulações ao mesmo tempo
- Incapacidade de usar a mão para tarefas básicas
Esses achados não significam automaticamente uma doença grave, mas mudam a urgência e os exames — e não devem ser atribuídos a uma tendinite. Fora deles, De Quervain é um problema local, incômodo e tratável.
O que fazer hoje
- Mude como você pega o bebê. Em vez de segurar pelas axilas com os polegares abertos, apoie o corpo da criança nos antebraços e nas palmas, com os polegares encostados na mão.
- Celular com as duas mãos. Digitar com o polegar de uma mão só é um dos gestos que mais reproduzem essa dor.
- Troque pinça por pegada. Segure copos, panelas e sacolas com a mão inteira ou com as duas mãos, e use abridor de potes em vez de força de polegar.
- Evite torcer panos e espremer roupa nas próximas semanas: é o movimento que mais irrita esse compartimento.
- À noite, uma órtese que segure o punho e o polegar costuma reduzir a dor ao acordar. Se você não tem uma, evite dormir com a mão dobrada sob o travesseiro.
- Gelo por 15 minutos sobre o ponto dolorido no fim de um dia em que a dor aumentou.
- Não force alongamento agora. Puxar o polegar para baixo até doer piora a fase irritada.
O exercício por onde começar
Comece com contração sem movimento, que costuma ser tolerada mesmo na fase dolorosa. Apoie o antebraço na mesa com a mão de lado, polegar apontando para o teto. Encoste a outra mão contra o polegar e empurre o polegar para cima contra essa resistência, sem que ele se mova. Segure 10 segundos, solte, repita 5 vezes. Duas vezes ao dia.
A força deve ser suave: dor de até 3 em 10 durante a contração é aceitável; dor que aumenta e permanece nas 24 horas seguintes significa que você apertou demais. Quando isso ficar confortável por uma semana, passe a levantar o polegar em direção ao teto sem resistência, 10 repetições, duas vezes ao dia, e só depois acrescente carga leve.
Quanto tempo leva para melhorar
Com órtese usada de forma organizada e mudança dos gestos que provocam a dor, a maioria das pessoas melhora em 6 a 12 semanas. Quando o quadro começou no pós-parto, ele costuma ceder à medida que a forma de pegar e carregar a criança muda.
Se depois de 6 semanas nada mudou, o plano precisa ser revisto. Vale rever se o diagnóstico é mesmo esse, se a órtese está segurando o polegar além do punho, e se algum gesto do dia continua irritando o compartimento sem que você tenha percebido.
O que mais dói nesse mesmo ponto
Uma manobra dolorosa no consultório não fecha o diagnóstico sozinha. A dor precisa bater com a localização, a história e o exame.
| Possibilidade | O que você costuma sentir |
|---|---|
| Artrose da base do polegar (rizartrose) | Dor mais profunda e mais baixa, na própria base do polegar, pior em pinça forte e ao girar chave. |
| Síndrome do túnel do carpo | Dormência à noite no polegar, indicador e dedo médio, que acorda você e melhora ao sacudir a mão. |
| Síndrome de interseção | Dor mais acima, no antebraço, com sensação de rangido em movimentos repetidos. |
| Artrite inflamatória | Rigidez matinal prolongada, várias articulações inchadas ou sintomas pelo corpo. |
| Dor vinda do pescoço | Dor no pescoço, formigamento pelo braço ou perda de força que não se explica pelo punho. |
Leve isto para a consulta
- Aponte com um dedo o ponto exato de maior dor.
- Diga quais gestos reproduzem a dor sempre: pinça, torção, pegar a criança, celular, ferramenta.
- Anote se há dormência, em quais dedos e em que horário.
- Conte o que mudou no trabalho, em casa ou no cuidado do bebê nas semanas antes de começar.
- Leve as talas e órteses que já usou e diga por quanto tempo usou cada uma.
- Liste as tarefas que você deixou de conseguir fazer.
Ultrassom ajuda quando há dúvida diagnóstica, quando o tratamento bem conduzido falhou ou quando é preciso mapear a anatomia do compartimento antes de uma infiltração — algumas pessoas têm uma divisória interna que faz o alvo mudar.
Órtese, infiltração e cirurgia
A órtese que inclui o polegar, e não só o punho, é o que costuma dar alívio. Use nas tarefas provocativas e à noite, com um prazo combinado e um plano de retirada — imobilizar a mão inteira por tempo indefinido troca dor por rigidez.
A infiltração com corticoide faz mais sentido quando a dor persiste apesar das medidas acima ou quando ela impede você de usar a mão e de fazer os exercícios. Não é um procedimento para repetir automaticamente, e não é feito sobre pele infectada nem sem diagnóstico definido. A cirurgia entra em quadros persistentes com limitação relevante, sobretudo quando o compartimento é dividido por uma septação ou está muito estreitado.
O que a acupuntura faz e o que não faz
A acupuntura não alarga a bainha estreitada nem substitui a órtese, a mudança de gestos ou a infiltração quando o alvo é claro. O que ela pode oferecer é redução da dor local e da tensão muscular do antebraço, o que às vezes melhora o sono e permite começar os exercícios.
Se depois de algumas sessões a dor em pinça e em torção continuar igual, o caminho é rever o diagnóstico e a órtese, não repetir sessões.
Como saber se está melhorando
Escolha duas tarefas concretas — abrir um pote e levantar a criança, por exemplo — e acompanhe se elas ficam possíveis, e como está a dor nas 24 horas depois. Se a dor cai só em repouso e volta igual no gesto, o ajuste de carga ainda está incompleto.
Perguntas frequentes
Um teste de Finkelstein positivo fecha o diagnóstico?
Não sozinho. Essa manobra também irrita outras estruturas do punho. A dor precisa coincidir com a localização, a história e o exame do compartimento do polegar.
A tala resolve?
Ela ajuda bastante, mas funciona melhor combinada com mudança de gestos e retorno progressivo. Tala prolongada sem plano acaba deixando o polegar rígido.
Infiltração é sempre necessária?
Não. Ela faz mais sentido quando a dor persiste apesar das medidas proporcionais ou quando impede você de usar a mão no dia a dia.
Apareceu depois do parto. Vai passar?
Na maioria das vezes melhora, e a mudança na forma de pegar e carregar a criança costuma ser a parte mais decisiva do tratamento. Isso não significa esperar sem fazer nada.
Referências
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Clínica Dr. Hong Jin Pai & Associados
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Médico integrante da equipe CEIMEC e da Comissão Científica, com atuação em acupuntura médica, dor musculoesquelética e ensino médico.