Orientação ao paciente

Tendinite de De Quervain: dor no polegar e punho

Dor na borda do polegar ao pegar o bebê, torcer ou usar o celular: como reconhecer De Quervain e o que fazer hoje.

15 maio 2026

A tendinite de De Quervain é a irritação da bainha por onde passam os dois tendões que abrem e levantam o polegar, na borda do punho do lado do polegar. A dor fica num ponto estreito, poucos centímetros acima da base do polegar.

Ela aparece em quem pega o bebê pelas axilas várias vezes ao dia, em quem passa horas com o celular numa mão só, em pinça repetida no trabalho manual e depois de aumentos rápidos de uso da mão. Torcer um pano ou virar uma maçaneta pode ficar surpreendentemente doloroso.

Como essa dor se comporta

  • Dor na borda do punho do lado do polegar, principalmente em pinça e torção.
  • Piora ao levantar objetos com o polegar aberto ou ao inclinar o punho para o lado do dedo mínimo.
  • Ponto sensível bem localizado, que você consegue apontar com um dedo.
  • Às vezes um estalo ou sensação de atrito ao mover o polegar.
  • Sem dormência que aumenta com o tempo — isso aponta para nervo, não para tendão.

Quando não vale esperar

  • Trauma ou queda com deformidade visível no punho
  • Perda rápida de força, com objetos escapando da mão
  • Dormência que aumenta semana a semana
  • Punho ou mão quente, inchada e vermelha
  • Febre junto com a dor
  • Rigidez matinal prolongada em várias articulações ao mesmo tempo
  • Incapacidade de usar a mão para tarefas básicas

Esses achados não significam automaticamente uma doença grave, mas mudam a urgência e os exames — e não devem ser atribuídos a uma tendinite. Fora deles, De Quervain é um problema local, incômodo e tratável.

O que fazer hoje

  • Mude como você pega o bebê. Em vez de segurar pelas axilas com os polegares abertos, apoie o corpo da criança nos antebraços e nas palmas, com os polegares encostados na mão.
  • Celular com as duas mãos. Digitar com o polegar de uma mão só é um dos gestos que mais reproduzem essa dor.
  • Troque pinça por pegada. Segure copos, panelas e sacolas com a mão inteira ou com as duas mãos, e use abridor de potes em vez de força de polegar.
  • Evite torcer panos e espremer roupa nas próximas semanas: é o movimento que mais irrita esse compartimento.
  • À noite, uma órtese que segure o punho e o polegar costuma reduzir a dor ao acordar. Se você não tem uma, evite dormir com a mão dobrada sob o travesseiro.
  • Gelo por 15 minutos sobre o ponto dolorido no fim de um dia em que a dor aumentou.
  • Não force alongamento agora. Puxar o polegar para baixo até doer piora a fase irritada.

O exercício por onde começar

Comece com contração sem movimento, que costuma ser tolerada mesmo na fase dolorosa. Apoie o antebraço na mesa com a mão de lado, polegar apontando para o teto. Encoste a outra mão contra o polegar e empurre o polegar para cima contra essa resistência, sem que ele se mova. Segure 10 segundos, solte, repita 5 vezes. Duas vezes ao dia.

A força deve ser suave: dor de até 3 em 10 durante a contração é aceitável; dor que aumenta e permanece nas 24 horas seguintes significa que você apertou demais. Quando isso ficar confortável por uma semana, passe a levantar o polegar em direção ao teto sem resistência, 10 repetições, duas vezes ao dia, e só depois acrescente carga leve.

Quanto tempo leva para melhorar

Com órtese usada de forma organizada e mudança dos gestos que provocam a dor, a maioria das pessoas melhora em 6 a 12 semanas. Quando o quadro começou no pós-parto, ele costuma ceder à medida que a forma de pegar e carregar a criança muda.

Se depois de 6 semanas nada mudou, o plano precisa ser revisto. Vale rever se o diagnóstico é mesmo esse, se a órtese está segurando o polegar além do punho, e se algum gesto do dia continua irritando o compartimento sem que você tenha percebido.

O que mais dói nesse mesmo ponto

Uma manobra dolorosa no consultório não fecha o diagnóstico sozinha. A dor precisa bater com a localização, a história e o exame.

PossibilidadeO que você costuma sentir
Artrose da base do polegar (rizartrose)Dor mais profunda e mais baixa, na própria base do polegar, pior em pinça forte e ao girar chave.
Síndrome do túnel do carpoDormência à noite no polegar, indicador e dedo médio, que acorda você e melhora ao sacudir a mão.
Síndrome de interseçãoDor mais acima, no antebraço, com sensação de rangido em movimentos repetidos.
Artrite inflamatóriaRigidez matinal prolongada, várias articulações inchadas ou sintomas pelo corpo.
Dor vinda do pescoçoDor no pescoço, formigamento pelo braço ou perda de força que não se explica pelo punho.
A dor radial do punho deve ser localizada por tecido: tendão, articulação, nervo ou doença sistêmica.

Leve isto para a consulta

  • Aponte com um dedo o ponto exato de maior dor.
  • Diga quais gestos reproduzem a dor sempre: pinça, torção, pegar a criança, celular, ferramenta.
  • Anote se há dormência, em quais dedos e em que horário.
  • Conte o que mudou no trabalho, em casa ou no cuidado do bebê nas semanas antes de começar.
  • Leve as talas e órteses que já usou e diga por quanto tempo usou cada uma.
  • Liste as tarefas que você deixou de conseguir fazer.

Ultrassom ajuda quando há dúvida diagnóstica, quando o tratamento bem conduzido falhou ou quando é preciso mapear a anatomia do compartimento antes de uma infiltração — algumas pessoas têm uma divisória interna que faz o alvo mudar.

Órtese, infiltração e cirurgia

A órtese que inclui o polegar, e não só o punho, é o que costuma dar alívio. Use nas tarefas provocativas e à noite, com um prazo combinado e um plano de retirada — imobilizar a mão inteira por tempo indefinido troca dor por rigidez.

A infiltração com corticoide faz mais sentido quando a dor persiste apesar das medidas acima ou quando ela impede você de usar a mão e de fazer os exercícios. Não é um procedimento para repetir automaticamente, e não é feito sobre pele infectada nem sem diagnóstico definido. A cirurgia entra em quadros persistentes com limitação relevante, sobretudo quando o compartimento é dividido por uma septação ou está muito estreitado.

O que a acupuntura faz e o que não faz

A acupuntura não alarga a bainha estreitada nem substitui a órtese, a mudança de gestos ou a infiltração quando o alvo é claro. O que ela pode oferecer é redução da dor local e da tensão muscular do antebraço, o que às vezes melhora o sono e permite começar os exercícios.

Se depois de algumas sessões a dor em pinça e em torção continuar igual, o caminho é rever o diagnóstico e a órtese, não repetir sessões.

Como saber se está melhorando

Escolha duas tarefas concretas — abrir um pote e levantar a criança, por exemplo — e acompanhe se elas ficam possíveis, e como está a dor nas 24 horas depois. Se a dor cai só em repouso e volta igual no gesto, o ajuste de carga ainda está incompleto.

Perguntas frequentes

Um teste de Finkelstein positivo fecha o diagnóstico?

Não sozinho. Essa manobra também irrita outras estruturas do punho. A dor precisa coincidir com a localização, a história e o exame do compartimento do polegar.

A tala resolve?

Ela ajuda bastante, mas funciona melhor combinada com mudança de gestos e retorno progressivo. Tala prolongada sem plano acaba deixando o polegar rígido.

Infiltração é sempre necessária?

Não. Ela faz mais sentido quando a dor persiste apesar das medidas proporcionais ou quando impede você de usar a mão no dia a dia.

Apareceu depois do parto. Vai passar?

Na maioria das vezes melhora, e a mudança na forma de pegar e carregar a criança costuma ser a parte mais decisiva do tratamento. Isso não significa esperar sem fazer nada.

Referências

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Médico integrante da equipe CEIMEC e da Comissão Científica, com atuação em acupuntura médica, dor musculoesquelética e ensino médico.