Infelizmente, trata-se de uma visão distorcida da nossa atuação. Temos orgulho de sermos considerados especialistas no tratamento da DOR , o que , aliás, é a alma da Acupuntura e da Medicina. Damos realmente muita ênfase no ensino do tratamento da dor, porém, esse é apenas o primeiro dos módulos do nosso curso, pois os subseqüentes abordam o tratamento das doenças sistêmicas, de acordo com os princípios da Medicina Tradicional Chinesa, integrada à medicina convencional.
Gostaria de apresentar aqui alguns aspectos que consideramos importantes e que norteiam o CEIMEC:
1. Medicina Tradicional Chinesa e Medicina Ocidental
A dor é o sintoma mais comum na maioria das doenças. É a principal queixa dos pacientes nos consultórios médicos e o motivo principal que os leva a procurar a Acupuntura. No entanto, ela apenas sinaliza a provável existência de uma doença orgânica ou funcional que deve ser diagnosticada com os conhecimentos acumulados pela Medicina Ocidental . Essa é a nossa preocupação principal, tanto que o CEIMEC foi o primeiro instituto de ensino a integrar a Medicina Ocidental à Acupuntura e à Medicina Tradicional Chinesa.
Por que não fazer apenas o “diagnóstico energético” do paciente?
• Com a evolução da Medicina Tradicional Chinesa/Acupuntura, os antigos mestres se preocupavam em descobrir um meio confiável e objetivo (na época) para diagnosticar, avaliar e acompanhar a evolução do quadro clínico dos doentes, tais como: examinar o paciente através de palpação do pulso radial, da palpação da área ou do ponto dolorido do corpo e análise do aspecto da morfologia da língua.
• Hoje sabemos que esses métodos não
são tão confiáveis e estão sujeitos
a muitas variações internas e externas do indivíduo,
não sendo, pois, suficientes para o diagnóstico
preciso, nem para prever a evolução da doença.
• A maioria dos pacientes quando procura a Acupuntura já tentou tratamento em diversas clínicas sem obter um resultado satisfatório e, em |
geral, encara a Acupuntura como a última opção ou a tábua de salvação.
Devemos sempre questionar se esses pacientes
tiveram uma indicação correta do tratamento,
se seguiram as orientações propostas, se tiveram
os cuidados necessários para que não obtivessem
resultado no tratamento. Essas dúvidas reforçam
a necessidade de reexaminá-los e, muitas vezes, em caso
de doenças crônicas, investigar a existência
de outras doenças concomitantes. Não podemos,
portanto, aceitar o simples “diagnóstico energético”,
nem tão pouco nos contentarmos com o simples alívio
dos sintomas como garantia de melhora ou cura do paciente.
2. Porque enfatizamos o tratamento da DOR
No campo de tratamento da Acupuntura, destaca-se a importância relevante de saber tratar dor, assim, com certeza o alívio da mesma será mais rápido e marcante. O sucesso implica numa série de procedimentos, e estes, se corretamente realizados, garantem bons resultados. São eles: diagnóstico, escolha do esquema de tratamento, conhecimento anatômico neuromuscular, trajeto de meridianos, localização de pontos, seqüência de agulhamento, profundidade, obtenção de De Qi, técnicas de manipulação, uso seletivo de eletroestimulação, ventosas e outros.
Deste modo , pode-se verificar que conseguir
o alívio da dor depende do domínio de um conjunto
de conhecimentos complexos e interligados de Acupuntura / Medicina
Tradicional Chinesa e Medicina Ocidental. Após esse
módulo, o aluno médico é capaz de utilizar
esses conhecimentos para aplicá-los no tratamento de
doenças sistêmicas, que em geral exige mais tempo
e técnicas mais apuradas.
Podemos afirmar que saber tratar dor, ênfase que também é dada nas escolas médicas da China, significa o primeiro passo no domínio da técnica e do conhecimento da Acupuntura. Aliás, um dos ensinamentos dos antigos mestres chineses era de que “o efeito da Acupuntura no alívio da dor seria tão rápido quanto o aparecimento imediato da sombra no chão ao se estender uma vara de bambu sob a luz do sol”. |