Como traduzir textos técnicos
[How to translate technical texts]

FONTE: http://fidusinterpres.com/?p=71

By Fabio M. Said | Apr 23, 2008


Em primeiro lugar, o tradutor precisa estar familiarizado com o assunto de que trata o texto. Não adianta o tradutor encontrar uma tradução adequada para um determinado termo se ele não entende o significado do termo. Um erro comum é usar traduções de dicionários bilíngües ou glossários de terceiros sem procurar o sentido do termo em questão, nem compreender de que forma ele é usado por profissionais da área. Estar familiarizado não significa saber tudo sobre a área em questão. O tradutor familiarizado saberá, por exemplo, onde encontrar as melhores soluções para suas dúvidas de terminologia e dominará as técnicas de tradução específicas para os textos da área.

A leitura cuidadosa, do início ao fim, do texto original é essencial para a compreensão do texto. Mesmo assim, há tradutores que não lêem o texto antes da tradução e traduzem à medida em que lêem. Na verdade, a leitura prévia deve acontecer bem antes da tradução, ainda na fase de elaboração do orçamento – só assim o tradutor poderá determinar com maior precisão o tempo necessário para traduzir e os problemas potenciais do original e da futura tradução e, com essas informações, oferecer ao cliente um preço adequado pelo serviço.

Ainda antes da tradução, é essencial também fazer o glossário dos termos novos encontrados no texto a traduzir e, é claro, pesquisar esses termos nos dois idiomas – na língua de partida e na língua de chegada. Não raro, parte dos termos técnicos somente ganhará uma tradução boa no decorrer da tradução, pois dependem da tradução de outros termos ou de uma certa dose de inspiração que só ocorre quando o tradutor está profundamente mergulhado no estilo e vocabulário do texto.

Um dos grandes problemas de manuais técnicos em geral é quando o autor do original não escreve bem. Alguns tradutores não se dão conta disso, acham que o original faz perfeito sentido e produzem traduções igualmente sem sentido. É comum o autor de um manual em inglês não ser nativo do inglês (pode ser um alemão, um sueco ou um mexicano, por exemplo), e é bem possível que o autor use o chamado “inglês internacional”, uma versão híbrida do idioma inglês, ocasionalmente com sintaxe e ortografia estranhas em relação às normas cultas nacionais do inglês (americano, britânico, canadense etc.). É importante o tradutor saber reconhecer esse tipo de problema.

Em caso de dúvidas na compreensão do estilo ou de termos técnicos, é bom procurar o cliente. Ao contrário do que muita gente pensa, um tradutor com dúvidas não é necessariamente um tradutor incompetente, mas sim um profissional preocupado em agregar valor ao seu próprio serviço e em atender ao cliente da melhor maneira possível. Se o cliente for um cliente direto, possivelmente o contato será rápido e enriquecedor para o tradutor e deixará o cliente mais confiante na competência do tradutor. Se o cliente for uma agência de tradução, muitas vezes o contato é demorado e truncado, pois a agência pode não querer que o tradutor e o cliente final estejam em contato direto, ou o contato acaba tendo tantos intermediários a ponto de ser impraticável.

Na elaboração de glossários com os termos desconhecidos, é importante usar fontes seguras. E na maioria das vezes, os glossários bilíngües encontrados na internet não são fontes seguras. Fontes seguras seriam, por exemplo, glossários, léxicos e dicionários “monolíngües” criados por empresas atuantes na área de que trata o original. Nada de glossários bilíngües elaborados por alunos de determinados cursos de tradução ou por determinados sites de agências de tradução. Comparando fontes monolíngües no idioma de partida e no idioma de chegada, o tradutor chega com mais certeza às traduções de determinados termos. Mas embora devam ser usados com cautela, os dicionários bilíngües ainda são capazes de ajudar bastante o tradutor.

Em documentações técnicas de aparelhos, costuma haver partes que não precisam ser traduzidas. Por exemplo, geralmente há menção a dizeres de telas do software de comando dos aparelhos: ON, OFF, PUSH, SHUT-DOWN, ALARM. Aqui é importante observar se o software de comando também foi ou está sendo traduzido. Muitas vezes, o software não é traduzido, e por isso o tradutor deverá deixar no idioma original as instruções de tela que aparecem no texto. Mas haverá também ocasiões em que essas instruções devem ser traduzidas. Novamente, o contato entre tradutor e cliente resolverá essa questão.

Por fim, uma nota sobre a questão do estilo. O estilo técnico de escrever pode parecer estranho para os amantes da “boa literatura”, mas ele faz perfeito sentido para os leitores dos textos técnicos. O texto técnico é por natureza “seco”, direto, voltado para informar e não para provocar deleites literários nos leitores. Por isso, é importante o tradutor não tentar embelezar a tradução, sob pena de torná-la enfadonha e imprópria. Isso não impede, porém, que o tradutor use e abuse de soluções criativas para tornar o texto fluente – isto é: fluente para os leitores de textos técnicos, que são pessoas em busca de informações específicas e objetivas. Acima de tudo, o texto técnico, assim como o literário, o jornalístico e o jurídico, precisa ser idiomático e respeitar as regras de gramática e estilo do idioma de chegada.


 

 



 

Muitos colegas, quando falam sobre os cursos ministrados pelo CEIMEC dizem: Oh! Aqueles que só sabem tratar a dor!.

Ao longo dos 19 anos de ensino, o CEIMEC tem sido rotulado de ser o especialistaem tratar a DOR e não focalizar outras patologias. Isso provavelmente se deve à nossa forte ligação ao Centro de Dor e ao Curso de Especialização em Acupuntura do Instituto de Ortopedia e Traumatologia, ambos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

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